A minha experiência como professor regular está fazendo um ano. Desde que resolvi estudar História, sempre imaginei que estar em sala de aula seria o coroamento de minha escolha. Colocar em prática tudo o que aprendi durante anos, as diversas formas de ensinar, as dicas, e, sobretudo, os exemplos que os meus professores, no decorrer de toda a minha vida acadêmica, puderam me demonstrar. Achei que me respeitariam, como respeitava a professora de Estudos Sociais, a Senhora Teresa Zanon, que me ensinou a postura que os alunos deveriam ter quando da chegada do professor em sala de aula. Com a professora Elza, de História, lá no ensino médio, descobri a minha vocação de professor de História. Dela, no final do ano, ganhei o livro História das Sociedades Americanas, responsável pelo meu ingresso na UFF, em 1989. Lá pude conviver com Mestres e Doutores, com personalidades fantásticas, uma das melhores universidades do mundo no ensino de História. Como não conclui o meu curso lá, depois de um tempo sem estudar, retornei para a Gama Filho. A Gama revelou-se uma grata surpresa, uma universidade onde os professores tratavam seus alunos como colegas, incentivando-os a produzir. As semanas temáticas comandadas pela professora Cláudia Affonso, eram fantásticas. As aulas do professor Paulo André, como se cantasse Bossa Nova, deixavam-se extasiado, desejando que a não terminasse. O professor Jayme Lúcio, meu amigo e calouro na UFF, meu mestre e orientador na monografia, suas aulas de História Contemporânea inchavam as salas, sendo necessário buscar cadeiras me outras salas. E tantos outros, que povoam a minha memória e trazem boas lembranças.
Entro em minhas salas de aula, em minha escola destruída, pichada, com seus ventiladores quebrados, a temperatura sempre acima de 30º, os quase 40 alunos por turma e os decibéis que eles geram, sempre ruidosos. Fico me lembrando do Professor Paulo André e as suas aulas quase sussuradas e morro de inveja. Fico imaginando se um dia conseguirei tal feito, quem sabe antes de estourar a minha garganta de tanto gritar, ou de ficar desidratado de tanto transpirar em sala de aula. Fico imaginando também se um dia poderei dar o melhor de mim, mostrar tudo aquilo que aprendi com os meus mestres, e não apenas gritos e fazer com que os meus alunos não se matem em sala de aula. Tenho esperança de um dia tudo isso mude, que tudo melhore, que tudo se transforme.
Nenhum comentário:
Postar um comentário