Apenas aquilo que passa pela minha cabeça! Quero expressar as minhas idéias, compartilhar com as pessoas o que penso, o que vejo e sobretudo, o que sinto!
março 01, 2007
Cidade partida
A cidade do Rio de Janeiro comemora hoje 442 anos. Cidade Mavilhosa, pérola do Atlântico, princesinha do mar, são muitos os elogios para a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Centro cultural do Brasil, a transferência da capital do país para Brasília arrasou o Rio de Janeiro. Desde 61, a cidade vêm demostrando estar em um camilho sem volta, rumo ao mais completo caos. A qualidade de vida piora a cada ano. A indigência aparece em todos os lugares. A violência aprisiona os cidadãos desta metrópole partida em suas jaulas, de onde vislumbram o caos completo. Vidas, nas mais tenras idades, são ceifadas sem nenhum arrependimento. Polícia, ladrões, marginais e marginalizados se enfrentam a cada minuto nas esquinas. Não há mais refúgios, a insegurança atinge a todos. O que não consigo entender é que, os gritos daqueles que infelizmente precisam morar ou trabalhar nesta cidade, seus temores, suas indignações não ecoam nas cabeças dos governantes, dos homens no poder. Estes, protegidos com suas escoltas numerosas, em seus carros blindados, em seus palácios cercados do mais moderno aparato de segurança, ignoram o que se passa nas ruas escuras e mal cheirosas da outrora Cidade Maravilhosa. Estes, nunca passarão pelas esquinas escuras, pelos sinais de trânsito fechados, pelas vielas dos morros. Estes também não serão reféns de uma polícia corrupta, mal aparelhada e despreparada, que dispara primeiro e interroga depois, que celebra acordos espúrios com os traficantes, enfim, uma polícia da qual não podemos nem contar ou confiar. O que aconteceu com o menino João Hélio não foi uma fatalidade. Fatalidade é algo que acontece de vez em quando, como a queda de um avião, ou um raio. O que aconteceu com ele, faz parte da mais cruel realidade desta cidade, dos meninos do tráfico, dos que roubam nos sinais, daqueles que ignorados pela cidade, crescem e se vingam sem a menor piedade, sem o menor censo de humanidade, em uma escala crescente de violência injustificada. Gostaria hoje de estar parabenizando o Rio de Janeiro. Infelizmente, não posso fazer isto, gostaria sinceramente que algo mudasse nesta cidade, na mentalidade tacanha de seus governantes, na mesquinhez do seu povo, que prefere banalizar até mesmo a violência em vez de enfrentar a sua falta de iniciativa, o seu conformismo exagerado, o seu gosto pelas soluções improvisadas e corriqueiras. Gostaria mesmo até de rezar aos céus, quem sabe Deus me ouve e tal como Sodoma e Gomorra, arrasa esta terra linda e seu povo adormecido, e então, poderemos começar tudo de novo, em uma nova base, em um novo modelo, num pacto de igualdade, de fraternidade e sobretudo de humanidade!
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Um comentário:
muda pra Manaus, pelo menos aqui os postos de saúde da rede pública tem remédio ... rs
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