fevereiro 21, 2007

Panis et circus

Chegou o carnaval... e com ele, o esquecimento. Quase ninguém mais fala no bárbaro assassinato do menino João Hélio. As notícias a respeito dele foram suplantadas pela chegada do carnaval, dos desfiles das escolas de samba, das musas do carnaval, das fantasias e alegorias, enfim, dos assuntos relacionados ao reinado de Momo. Isto tudo me deixa triste, um país inteiro paralisado por causa de uma pretensa festa popular. De popular, o carnaval não tem mais nada. Tudo virou apenas comércio, e um comércio que movimenta milhões. Tristeza também foi ver a cara do Capitão Guimarães, presidente da Liga das Escolas de Samba, nos principais jornais e televisões do país. Notório torturador, pessoa envolvida em diversos escândalos, enfim, um grande escroque que assume ares de pessoa de bem, de barão do império nestas épocas do ano. Um triste destaque para quem deveria no mínimo, estar respondendo por todos os crimes e atrocidades que praticou.
Um país inteiro paralisado... acho que as nossas mentes é que estão paralisadas, enquanto que o circo pega fogo, ficamos estupefactos, paralisados pelo olhar da medusa!

3 comentários:

Fernando Santana Jr disse...

Meu caro Henrique.
Antes de mais de nada eu quero desejar que você siga bem com essa nova empreitada.
Bem, sobre o caso João Hélio, devo dizer que a solução deve ser proposta em duas vias, ou seja, penas mais duras, resolução dos entraves legais que promovem a continuidade de vários facínoras nas ruas, diminuição da maioridade penal e ,acima de tudo, estabelecer uma política educacional realmente funcional. Que o sistema legal seja mais eficiente para os que já estão formados e que o sistema educacional seja mais eficiente para os que serão formados.
Quanto ao carnaval, eu acho que não devemos atacá-lo como uma mera forma de “ópio do povo”, mas como uma válvula de escape até necessária para que não degringolemos em uma nação de vitimas ou, ainda pior, em uma nação de algozes. Mas que essa válvula de escape seja apenas isso, quero dizer, que o Carnaval não sirva para apagar nada.
Devemos saber sim lidar com essas duas necessidades da vida, a necessidade de discutir a realidade sem mascaramentos e a necessidades simples de ser feliz. Nunca devemos nos esquecer de que também merecemos um pouco de paz sem maiores pudores de rir apesar do que há de ruim na vida.
À propósito, como defensor do carnaval de rua carioca, devo acrescentar que ainda há a festa do povo sim, sem a parafernália comercial que já estamos, infelizmente, acostumados.
Grande abraço brother e não deixe de escrever.
Até mais.
Fernando.

Fernando Santana Jr disse...

...E ,quanto ao Capitão Guimarães, vale a Lei, né?
Houve anistia tanto para os terroristas quanto para os militares. Melhor superarmos cara.Os dois lados erraram feio e sabemos disso.
Grande abraço.

Supersocket disse...

Obrigado Fernando pelos comentários. Foi muito bom você ter chegado por aqui, nesta nova empreitada. Será muito bom dividirmos também este blog, suas palavras são importantes e sobretudo, indispensáveis, pelo menos para mim. Um grande abraço